Lenda das Feiticeiras Raianas

Quantas vezes nos deparamos com histórias populares, que nos chegam por familiares, por vizinhos, por amigos, por alguém que ouviu de alguém ... duas coisas elas todas têm em comum, justificam tradições e têm origens ancestrais. 

 

Nesta lenda, iremos então viajar até  ao munícipio espanhol de Arbo, uma região que faz fronteira com a vila minhota de Melgaço, duas povoações que sempre cultivaram entre si fantásticas histórias misticas e sobrenaturais, com princesas, almas penadas, tragédia, amores proíbidos, criaturas lendárias, mas maioritáriamente, "meigas" como actualmente ainda chamam às bruxas, feiticeiras, magas e curandeiras, na localidade minhota e no idioma galego. Feitas as apresentações e sem mais demora, vamos então à lenda das Feiticeiras Raianas!

 

 

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Há muitos, muitos, anos atrás, na Idade Média, era necessário fazer a travessia do rio e esta, por vezes, muito arriscada devido ao mau tempo, enchentes inesperadas, rápidos perigosos ou até mesmo a inexperiência da própria pessoa, quer fosse a nado ou num pequeno barco utilizado na região com o nome de batela, por tal infortúnio dos que lá perdiam a vida ou viam a sua sorte a andar ao revês, culpavam as Feticeiras Raianas, pois eram elas que protegiam o territória e impunham a sua vontade sobre os homens das duas localidade.

Semelhantes às sereias, que apesar de terem aparência humana, não possuiam uma alma e quando confrontadas atacavam ou em troca de bens e favores, que podiam custar a vida, realizavam desejos aqueles que a elas recorriam. As feiticeiras, com aparência humana, belissímas, sedutoras, mas de essência sobrenatural, levavam os pescadores e barqueiros que por elas se apaixonavam ou as provocavam, para o fundo do rio. Outros, diziam que o seu poder era tão grande e poderoso, que bastava os jovens rapazes e homens abrir a boca, para a sua alma ser possuída e devorada. Amedrontados, decidiram que então a única forma de atravessar o rio era colocando um seixo ou uma moeda na boca, de modo a não a abrir na presença das míticas criaturas.

 

"Aquelles arriscados que se atrevían a cruzar a nado tiñan que meter na boca un coio que lles impedise falar por se una feiticeira lles preguntaba algo durante a travesía"

 

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Uma das versões que sobreviveu ao tempo foi registadas pelo português Leite de Vasconcelos em 1931, durante as suas viagens pelo Norte de Portugal.

Que acham, uma lenda ou apenas infortúnio daqueles que ousaram atravessar o rio?

Acham que sobreviveu alguém para contar a história ou apenas foi uma forma de justificar algo mais?

Seja como for, esta foi mais uma lenda que sobreviveu ao tempo e que merece a nossa atenção, pois sejam verdade ou nao, é sempre algo que nos faz viajar um pouco e compreender o que pensavam os nossos antepassados.

 

 

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