Lenda das Fogaceiras
Caros leitores, vamos hoje embarcar numa lenda que teve a sua origem nas terras de Santa Maria.
Vila da Feira ou Santa Maria da Feira, é uma cidade portuguesa localizada na sub-região da Área Metropolitana do Porto, pertencendo assim à região Norte e ao distrito de Aveiro. Com uma área urbana de 23,52 km2, conta com 19.792 habitantes (dados de 2021). É a sede do município de Santa Maria da Feira, este subdividido em 21 freguesias.
A lenda que hoje vos trago é apenas celebrada em Janeiro, mas a sua história remonta a dois meses antes, vamos então sem mais delongas, à Lenda da Fogaceiras!


Era uma vez, nos primórdios dos anos 1500, numa altura de frio e chuvas, uma aldeia de seu nome Feira que se vira assolada por uma terrível e mortal epidemia, a Peste!

Aquela povoação assustada, sem saber o que fazer, fez então uma promessa a São Sebastião, protector contra a peste. Essa promessa era nada mais nada menos que uma oferenda que lhe seria feita anualmente de pão doce, a tradicional fogaça, em forma de torre do castelo da vila.

Começaram então as novenas, as rezas que a população fazia a São Sebastião e os preparativos tradicionais, onde as famílias se juntavam para iniciar a confecção das fogaças.
Era 20 de Janeiro do ano seguinte, quando a peste cessou, a promessa havia sido cumprida e nascia assim a Festa das Fogaceiras, considerada a mais antiga procissão votiva de Portugal.

Por volta de 1520, o Juiz e Vereadores da Câmara da Vila da Feira, em conjunto com o pároco local, instituíram oficialmente a promessa e o voto a São Sebastião — determinando que todos os anos, a 20 de janeiro, se ofereceria uma fogaça (pão votivo) ao santo, em agradecimento pela cessação da peste.
A oficialização foi feita em nome do povo da vila, tornando o voto comunitário e perpétuo — o que transformou uma promessa popular espontânea num ritual cívico e religioso oficial.
O registo mais antigo conhecido encontra-se em documentos camarários do início do século XVI, citados por investigadores como Padre Manuel Alves e António Oliveira de Castro, onde se lê que a Câmara “fez voto a São Sebastião de lhe oferecer, em cada ano, fogaceiras em memória da saúde restituída”.
Ainda hoje podemos encontrar as quatro torres, nas fogaças de Santa Maria da Feira.

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